Provavelmente você consome alimentos transgênicos diariamente e nem sabe disso. Mas afinal o que são alimentos transgênicos? Será que eles são seguros para o consumo e para o meio ambiente?

Nesse artigo você conhecerá a verdade sobre os alimentos geneticamente modificados, em uma linguagem compreensiva e com informações reveladoras.

Já passou da hora de dar a devida atenção aos transgênicos, com uma visão voltada à saúde, ao meio ambiente e ao futuro do nosso planeta.

Não deixe de ler nossos outros artigos que envolvem o tema:

7 Razões para você evitar os Alimentos Transgênicos
 Alimentos Orgânicos e a Chocante Verdade sobre o que você Come
 10 Benefícios dos Alimentos Orgânicos. Vale pagar mais caro por eles?

O que são Alimentos Geneticamente Modificados?

Só de olhar talvez você não consiga diferenciar um alimento transgênico do natural, mas eles são muito diferentes.

Segundo o Ministério da Agricultura, um OGM (organismo geneticamente modificado) é todo e qualquer organismo que sofre alteração no seu material genético (DNA/RNA).

Essa alteração é feita utilizando genes da mesma espécie, alterando as características do alimento para obter algum benefício, como por exemplo, tomates maiores ou mais vermelhos.

Mas você sabia que os organismos geneticamente modificados (OGM) e os transgênicos não são a mesma coisa?

A técnica da transgenia é um pouco diferente. Consiste na transferência de genes de um indivíduo para outro, de diferentes espécies, como a aplicação de fungos, bactérias e vírus em espécies de milho, soja e algodão.

A intenção da transgenia é criar plantas ou animais resistentes a doenças, pragas, mudanças climáticas ou agrotóxicos.

Um exemplo são as sementes da Monsanto, que criam plantas resistentes ao seu agrotóxico Roundup/Glifosato. O agrotóxico mata tudo ao seu redor, menos as plantas, que são modificadas para resistir ao veneno.

Resumindo, o transgênico é uma espécie de OGM, porém nem todo OGM é transgênico.

Os Alimentos Transgênicos são seguros?

As leis, desenvolvidas com interesses políticos e não científicos, permitem a comercialização dos alimentos transgênicos sem os devidos estudos sobre os seus efeitos colaterais.

Segundo o geneticista David Suzuki, estamos fazendo parte de uma experiência em larga escala. Ao longo da última década estamos consumindo cada vez mais OGM e transgênicos, como se fossemos pequenos ratos de laboratórios.

As grandes empresas, detentoras das sementes transgênicas possuem grande influência política e perseguem todo cientista que está fazendo pesquisas independentes sobre a segurança dos transgênicos.

Porém diversos estudos e documentários estão expondo a realidade sobre os impactos dos transgênicos na sociedade, saúde e meio ambiente.

O cultivo de transgênicos é proibido no Japão, Nova Zelândia, e boa parte da Europa, e não é difícil entender o porquê.

Os alimentos transgênicos contaminam a biodiversidade, aumentam o uso de agrotóxicos, incentivam o surgimento de super pragas e podem causar sérios danos à saúde da população.

 

Temos o dever de conhecer os verdadeiros riscos desses produtos, que chegam aos nossos pratos todos os dias. Até quando o lucro será mais importante do que a vida?

Para entender melhor sobre o assunto, vamos analisar quem inventou os alimentos transgênicos.

O Monstro por traz da Invenção dos Alimentos Transgênicos

Quem inventou os transgênicos foi a multinacional Monsanto, que de santo não tem nada. Ela talvez seja a corporação mais odiada do mundo.

Isso porque a empresa está envolvida em diversas polêmicas, como prejuízos aos agricultores, danos à saúde e meio ambiente, formação de lobby e manipulação de pesquisas científicas.

Protesto em mais de 40 países contra a Monsanto em 2013
Em 25 de maio de 2013 foram realizados protestos simultâneos em mais de quarenta países do mundo e em centenas de cidades contra Monsanto.

Ela controlar cerca de 90% da produção de transgênicos e é produtora do famoso Glifosato, que há 30 anos é o herbicida mais vendido do mundo. Está entre as 100 empresas mais lucrativas dos Estados Unidos e possui grande influência político econômica.

A empresa criou algumas das piores substâncias do mundo. No passado, foi responsável pelo desenvolvimento de armas nucleares, o aspartame, PCBs, agente laranja, fertilizantes a base de petróleo e o hormônio de crescimento bovino (BGH).

Em 2016 a Monsanto foi vendida para a Bayer, no valor de US$ 66 bilhões, assustando os defensores da saúde, meio ambiente e os grandes produtores.

Um dos motivos da preocupação é que eles poderão lucrar com a doença (transgênicos e agrotóxicos Monsanto) e vender a cura (remédios Bayer).

Riscos à Saúde e ao Meio Ambiente

A indústria biotecnológica continua promovendo a introdução dos alimentos transgênicos não testados como se fossem “seguros”.

Eles compram pesquisas na área com o intuito de convencer os consumidores de que seus produtos são tão bons, ou até melhores do que os convencionais e isso vêm funcionando.

Uma pesquisa realizada em 2012 pela revista Food and Chemical Toxicology demonstrou que os ratos alimentados com transgênicos sofreram danos sérios nos rins, fígado e coração.

Os ratos morreram prematuramente e desenvolveram cânceres enormes em todas as partes do corpo. O estudo causou grande impacto na mídia e recebeu muitas críticas por parte das empresas de biotecnologia.

Ratos com tumores após o consumo de transgênicos
Imagem: Criigen/AFP

Estranhamente, 1 ano depois o estudo foi removido da revista, com a alegação de não ser conclusivo, devido a ter sido realizado com um número “pequeno” de cobaias, cerca de 200 ratos.

O modelo de plantio que utiliza sementes transgênicas é a trilha de um caminho insustentável.

Estamos vendo um aumento contínuo no uso de agroquímicos decorrente do cultivo transgênico, colocamos em risco o futuro dos solos, rios, a biodiversidade agrícola e a nossa saúde.

Nos países onde atua, a ação dessas empresas força a distribuição ilegal de sementes ou a contaminação deliberada de lavouras convencionais.

Os agricultores sofrem pressão para adotar a tecnologia transgênica e os produtos químicos como pesticidas e agrotóxicos associados a ela.

Além disso, torna a agricultura e os agricultores reféns das poucas empresas que detêm a tecnologia, e põe em risco à saúde da população.

A técnica da transgenia quer agricultura sem agricultores, colocando em risco milhares de empregos.

A introdução dos transgênicos na natureza expõe a biodiversidade a sérios riscos, como a perda ou alteração do patrimônio genético de plantas, sementes e animais.

A contaminação é um fato, pois mesmo que a plantação transgênica respeite o espaço determinado pela norma da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), pode ocorrer o cruzamento entre a espécie transgênica e convencional.

Hoje é praticamente impossível o pequeno agricultor ter certeza que vai plantar um alimento convencional e não vai colher transgênico.

A contaminação genética acontece através do vento e de agentes polinizadores, e infelizmente é irreversível. Uma vez contaminada a plantação não pode ser recuperada.

Alimentos Transgênicos no Mundo

Existem seis grandes empresas transnacionais que lideram o setor de transgênicos em nível global, são elas: Monsanto (Estados Unidos), Syngenta (Suíça), Dupont (EUA), Basf (Alemanha), Bayer (Alemanha) e Dow (EUA).

Seis empresas que lideram o mercado de transgênicos

Fonte: Grupo ITA área total de plantações transgênicas é de 179,7 milhões de hectares em 28 países diferentes. Na lista dos maiores produtores de transgênicos de 2015, o Estados Unidos lidera o ranking, com 70,9 milhões de hectares, seguido do Brasil (44,2 milhões) e Argentina (24,5 milhões).

Os alimentos produzidos em maior quantidade são o milho, a soja e o algodão. Também são plantados a beterraba, alfafa, mamão, álamo, abóbora, pimenta e tomate.

Alimentos Transgênicos no Brasil

O Brasil já possui 49,1 milhões de hectares de plantações transgênicas na safra 2016/2017. Em 2004, esse número era de apenas 5 milhões de hectares, segundo dados da Isaaa.

Dos 49,1 milhões de hectares plantados, 32,7 são de soja, 15,7 são de milho e 789 mil hectares são de algodão. Cerca de 93,4% das plantações de soja, algodão e milho do Brasil são transgênicas.

Quantidade de transgênicos por cultura no Brasil

Isso torna o Brasil o segundo maior produtor de transgênicos do mundo e o maior consumidor de agrotóxicos. Vale ressaltar que a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil é uma das responsáveis por colocar nosso país nesse ranking.

Isso acontece devido ao cultivo das sementes transgênicas exigirem quantidades maiores de aplicações de agrotóxicos, ao contrário do que as grandes empresas do setor anunciam em sua publicidade enganosa.

As empresas multinacionais compraram praticamente todas as empresas de sementes do país, fazendo com que os agricultores fiquem submetidos aos interesses delas.

Os agricultores vão comprar as sementes convencionais, mas não as encontram, ou encontram em quantidades pequenas com um valor acima da média. Sem opção, eles são obrigados a comprar as sementes transgênicas, e quando se dão conta estão em um caminho sem volta.

Alimentos Transgênicos Comercializados no Brasil

Soja

No Brasil, onde a soja transgênica ocupa quase um terço de toda a área dedicada à agricultura, a CTNBio liberou cinco variantes da planta, todas tolerantes a herbicidas e uma delas também é resistente a insetos.

A soja é o pior transgênico que você pode consumir. Como as pragas se tornaram resistentes ao herbicida, a ANVISA autorizou em 2004 um aumento em 50 vezes o limite de resíduos de agrotóxicos permitidos no grão de soja!

Boa parte da soja transgênica no mundo é destinada aos animais de criação, infelizmente ninguém se importa com a saúde deles.

O subproduto da soja mais comum para os humanos é o óleo, mas há também o leite de soja, tofu, missô e a proteína da soja.

Milho

Dezoito variedades de milho transgênicos foram aprovados (pelo CNTBio órgão do ministério da ciência e tecnologia) para o consumo no Brasil. A pipoca do cinema, a espiga da praia, o milho em lata e os flocos estão contaminados.

Espiga de milho transgenico

Industrializados

Os derivados do milho transgênico, como o xarope de milho e o amido de milho estão em quase todos os alimentos industrializados. Leia no verso da embalagem a composição do alimento antes de comprar.

Óleos de cozinha

Os óleos extraídos de soja, milho e algodão são os três campeões entre as culturas geneticamente modificadas e cujas sementes são uma mina de ouro para as empresas que controlam o mercado mundial.

Salmão

A FDA (Food and Drug Administration) aprovou a comercialização de um tipo de salmão geneticamente modificado, fazendo dele o primeiro animal transgênico a ser liberado para o consumo.

Salmão transgenico

Cerveja

Poucos sabem, mas quando bebem cerveja no Brasil estão geralmente tomando um liquido transgênico, já que a cevada vem sendo trocada por milho geneticamente modificado.

A cerveja, geralmente é produzida através do malte feito de cevada, mas algumas receitas permitem o uso de outros cereais. Uma pesquisa da USP e da Unicamp mostrou que as cervejas Brasileiras possuem 45% de milho em sua composição, percentual máximo permitido pelo Governo.

Margarina

A margarina utiliza gorduras vegetais (de soja, algodão, milho, palma, girassol, amendoim) purificadas e hidrogenadas extraídas de plantas transgênicas.

Além do problema de ser um alimento transgênico, a margarina contém gordura hidrogenada (trans). Para você ter uma ideia de como a gordura trans é perigosa, em 2015 os Estados Unidos proibiu sua comercialização e deu 3 anos para os produtores retirarem seus produtos da prateleira.

Salsicha

A salsicha é uma mistura de produtos e subprodutos de origem animal, misturados com soja e xaropes de milho geneticamente modificados, além de um monte de coisas nojentas que não vamos nem comentar.

Aspartame

O aspartame é um adoçante muito utilizado como substituto para o açúcar. Ele é um composto químico artificial, feito em laboratório através da manipulação de três ingredientes transgênicos: aspartate, fenilanina e mentol.

Esse adoçante artificial é uma neurotoxina e seu uso constante pode afetar o cérebro e o sistema nervoso. Pode ser encontrado em milhares de produtos “diet”.

Identificação dos Transgênicos

Mas como saber se o alimento que você está consumindo contém transgênicos?

Em 2003 foi publicado o decreto que exige as empresas da área de alimentação a rotulagem de produtos com mais de 1% de matéria-prima transgênica. Em 2007, a pedido do Idec, foi aprovada a obrigação da rotulagem independente do teor de transgênicos.

A identificação é um “T” preto sobre um triangulo amarelo. O significado do símbolo já diz tudo: perigo, contêm transgênicos.

selo de identificação de alimentos transgênicos

A resistência das empresas é muito grande, e muitas permanecem até hoje sem identificar a presença de transgênicos em seus produtos, brigando na justiça contra a obrigação da identificação no rótulo.

A rotulagem dos alimentos transgênicos é um direito básico dos consumidores, todos nós temos o direito de saber o que estamos consumimos.

Compartilhe essa ideia
Divulgue estas informações para seus familiares e amigos.
Gostou do nosso artigo? Deixe seu comentário.
Não esqueça de curtir nossa página no facebook para acompanhar mais artigos como esse.

Para saber mais sobre o assunto

Assista aos documentários:
“O mundo segundo a Monsanto” (2008) – NETFLIX
“GMO OMG” (2013) – NETFLIX
“Em breve em vossos pratos” (2014) – Youtube

Acesse os sites:
www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/saiba-o-que-sao-os-alimentos-transgenicos-e-quais-os-seus-riscos
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/O-que-fazemos/Transgenicos/

www.aspta.org.br
www.greenpeace.org.br
www.terradedireitos.org.br